De um lado, eleitores de altíssimo nível, capazes de eleger absurdos como esses aqui. O máximo de envolvimento político da classe média é mandar spam com a lista de nomes ridículos (ok, aqui vai minha colaboração). E depois que esses idiotas são eleitos ninguém se conforma e diz que "político é tudo ladrão". No fundo, ninguém leva a política a sério, nem os candidatos nem os eleitores. Tudo bem, o país também não é.

De outro lado, os candidatos com os mais variados nomes, slogans, naipes e cortes de cabelo. A intenção é sempre a mesma: atender interesses próprios. Seja em nome do bairro, da comunidade, da igreja, da ONG ou da loja maçônica, vale tudo pra ganhar um punhado de votos. Tudo é tão óbvio, tão tosco e tão ridículo, que chega a ser triste. Existe um padrão na conversa mole de todos, que vai mais ou menos por esse caminho aqui:
"Vou lutar pela [saúde/educação/segurança/habitação/transportepúblico/esporte/lazer/portadoresdenecessidadesespeciais/meioambiente/qualidadedevida/etc] e conto com o seu voto. Vote [Zezão/Pedrão/Tonhão/Chicão/Vavá] do/a [centrodesaúde/prefeitura/cachorrão/locadora/lavarápido/feiralivre/padaria/puteiro/necrotério]!"
Despreparo, ignorância, politicagem, troca de favores e mais uma caralhada de motivos pra você odiar sua cidade. Dá até orgulho. Neguinho parece que tá de sacanagem, tirando onda da sua cara. Porra, acham que todo eleitor é imbecil. Ok, uma boa parte é. Vote em branco, meu amigo.
Todos os raríssimos casos de sucesso em prefeituras (como os de Maceió e do Rio, por exemplo) tiveram como origem a gestão e profissionalização de tudo que as cercam. As iniciativas são poucas, como o Movimento Brasil Competitivo, mas já é um começo. Sempre me perguntei porque prefeituras e câmaras de vereadores não eram compostas por técnicos e administradores (pelo menos nas funções essenciais) ao invés de ficar na mão desses políticos de merda. O único plaejamento que eles sabem fazer é aquele pra tentar a reeleição. Porque não modernizar a administração pública? Se a câmara da sua cidade fosse uma empresa privada que vive num mercado competitivo e busca resultado, haveria espaço pra votação de nome de rua ou cerimômia de título de cidadão emérito?
Mas fique tranqüilo: já disseram uma vez que o Brasil não corre o menor risco de dar certo. Nem fodendo.
