22 de maio de 2009

Cidade sem carro

Comunidade alemã decide ter uma vida sem automóveis e vira referência

Do UOL Notícias (http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/2009/05/12/ult574u9344.jhtm)

Elisabeth Rosenthal
Em Vauban (Alemanha)

Os moradores desta comunidade afluente são pioneiros suburbanos. Eles superaram a maioria das mães que levam os filhos para jogar futebol ou executivos que fazem todos os dias o trajeto dos subúrbios até o centro da cidade: essas pessoas abriram mão dos seus carros.

Estacionamentos de rua, driveways (pequena estrada que vai geralmente da entrada da garagem até a rua) e garagens são, em geral, proibidas neste novo distrito experimental na periferia de Freiburg, perto da fronteira com a Suíça.

Nas ruas de Vauban os carros estão totalmente ausentes - com exceção da rua principal, por onde passa o bonde para o centro de Freiburg, e de umas poucas ruas na zona limítrofe da comunidade. A propriedade de automóveis é permitida, mas só há dois locais para estacionamento - grandes garagens localizadas no limite da comunidade, onde os proprietários compram uma vaga, por US$ 40 mil, juntamente com uma casa.

Como resultado, 70% das famílias de Vauban não têm automóveis, e 57% venderam o carro para se mudarem para cá.

"Quando eu tinha carro, estava sempre tensa. Desta forma sou muito mais feliz", afirma Heidrun Walter, profissional de mídia e mãe de dois filhos, enquanto caminha pelas ruas cercadas de verde, onde o ruído das bicicletas e a conversa das crianças que passeiam abafam o barulho ocasional de um motor distante.

Vauban, que foi concluída em 2006, é um exemplo de uma tendência crescente na Europa, nos Estados Unidos e em outros locais. Trata-se da separação entre a vida suburbana e a utilização de automóveis, como parte integrante de um movimento chamado de "planejamento inteligente".

Os automóveis são um fator de coesão dos subúrbios, onde as famílias de classe média de Chicago a Xangai costumam construir as suas residências. E, isso, segundo os especialistas, consiste em um grande obstáculo para os atuais esforços no sentido de reduzir drasticamente as emissões de gases causadores do efeito estufa que saem pelos canos de descarga, com o objetivo de reduzir o aquecimento global. Os carros de passageiros são responsáveis por 12% das emissões de gases causadores do efeito estufa na Europa - uma proporção que só está aumentando, segundo a Agência Ambiental Europeia -, e por até 50% em algumas áreas dos Estados Unidos.

Embora nas duas últimas décadas tenha havido tentativas de tornar as cidades mais densas e mais propícias para as caminhadas, os planejadores urbanos estão levando agora esse conceito para os subúrbios e concentrando-se especificamente em benefícios ambientais como a redução de emissões. Vauban, que tem 5,500 habitantes e uma área aproximada de 2,6 quilômetros quadrados, pode ser a experiência mais avançada em vida suburbana com baixa utilização de automóveis. Mas os seus preceitos básicos estão sendo adotados em todo o mundo em tentativas de tornar os subúrbios mais compactos e mais acessíveis ao transporte público, com menos espaço para estacionamento. Segundo essa nova abordagem, os estabelecimentos comerciais situam-se ao longo de calçadões, ou em uma rua principal, e não em shopping centers à beira de uma auto-estrada distante.

"Todo o nosso desenvolvimento desde a Segunda Guerra Mundial esteve concentrado no automóvel, e isso terá que mudar", afirma David Goldberg, funcionário da Transportation for America, uma coalizão de centenas de grupos nos Estados Unidos - incluindo instituições ambientais, prefeituras e a Associação Americana de Aposentados - que estão promovendo novas comunidades que sejam menos dependentes dos carros. Goldberg acrescenta: "A quantidade de tempo que se passa ao volante de um carro é tão importante quanto possuir um automóvel híbrido".

Levittown e Scarsdale, subúrbios de Nova York com casas de áreas enormes e garagens privadas, eram os bairros dos sonhos na década de 1950, e ainda atraem muita gente. Mas alguns novos subúrbios podem muito bem lembrar mais Vauban, não só nos países desenvolvidos, mas também no mundo subdesenvolvido, onde as emissões da frota cada vez maior de carros particulares da crescente classe média estão sufocando as cidades.

Nos Estados Unidos, a Agência de Proteção Ambiental está promovendo as "comunidades com número reduzido de carros", e os legisladores estão começando a agir, apesar de que com cautela. Muitos especialistas acreditam que o transporte público que atende aos subúrbios desempenhará um papel bem maior em uma nova lei federal de transporte aprovada neste ano, afirma Goldberg. Nas legislações anteriores, 80% das apropriações destinavam-se, por lei, a auto-estradas, e apenas 20% a outras formas de transporte.

Na Califórnia, a Associação de Planejamento da Área de Hayward está desenvolvendo uma comunidade semelhante a Vauban chamada Quarry Village, nos arredores de Oakland. Os seus moradores podem ter acesso sem carro ao sistema de trânsito rápido da Área da Baía e ao campus da Universidade Estadual da Califórnia em Hayward.

Sherman Lewis, professor emérito da universidade e líder da associação, diz que "mal pode esperar para mudar-se" para a comunidade, e espera que Quarry Village possibilite que ele venda um dos dois automóveis da família e, quem sabe, até mesmo os dois. Mas o atual sistema ainda conspira contra o projeto, diz ele, observando que os bancos imobiliários temem uma queda do valor de revenda de casas de meio milhão de dólar que não têm lugar para carros. Além disso, a maior parte das leis de zoneamento urbano dos Estados Unidos ainda exige duas vagas para automóveis por unidade residencial. Quarry Village obteve uma isenção dessa exigência junto às autoridades de Hayward.

Além disso, geralmente não é fácil convencer as pessoas a não terem carros.

"Nos Estados Unidos as pessoas são incrivelmente desconfiadas em relação a qualquer ideia de não possuir carros, ou mesmo de ter menos veículos", diz David Ceaser, co-fundador da CarFree City USA, que afirma que nenhum projeto suburbano do tamanho de Vauban banindo os automóveis teve sucesso nos Estados Unidos.

Na Europa, alguns governos estão pensando em escala nacional. Em 2000, o Reino Unido deu início a uma iniciativa ampla no sentido de reformar o planejamento urbano, desencorajando o uso de carros ao exigir que os novos projetos habitacionais fossem acessíveis por transporte público.

"Os módulos urbanos relativos a empregos, compras, lazer e serviços não devem ser projetados e localizados sob a premissa de que o automóvel representará a única forma realista de acesso para a grande maioria das pessoas", afirma o PPG 13, o documento revolucionário de planejamento, lançado pelo governo britânico em 2001. Dezenas de shopping centers, restaurantes de fast-food e complexos residenciais tiveram a licença recusada com base na nova regulamentação britânica.

Na Alemanha, um país que é a pátria da Mercedes-Benz e da Autobahn, a vida em um local onde a presença do automóvel é reduzida, como Vauban, tem o seu próprio clima diferente. A área é longa e relativamente estreita, de forma que o bonde que segue para Freiburg fica a uma distância relativamente curta a pé a partir de todas as casas. Ao contrário do que ocorre em um subúrbio típico, aqui as lojas, restaurantes, bancos e escolas estão mais espalhadas entre as casas. A maioria dos moradores, como Walter, possui carrinhos que são rebocados pelas bicicletas para fazer compras ou levar as crianças para brincar com os amigos.

Para deslocamentos a lojas como a Ikea ou às colinas de esquiação, as famílias compram carros juntas ou usam automóveis arrendados comunitariamente pelo clube de compartilhamento de automóveis de Vauban.

Walter já morou - com carro privado - em Freiburg e nos Estados Unidos.

"Se você tiver um carro, a tendência é usá-lo", diz ela. "Algumas pessoas mudam-se para cá, mas vão embora logo - elas sentem saudade do carro estacionado em frente à porta".

Vauban, local em que se situava uma base do exército nazista, ficou ocupada pelo exército francês do final da Segunda Guerra Mundial até a reunificação da Alemanha, duas décadas atrás. Como foi projetada para ser uma base militar, a sua planta nunca previu o uso de carros privados: as "ruas" eram passagens estreitas entre as instalações militares.

Os prédios originais foram demolidos há muito tempo. As elegantes casas enfileiradas que os substituíram são construções de quatro ou cinco andares, projetados de forma a reduzir a perda de calor e maximizar a eficiência energética. Elas possuem madeiras exóticas e varandas elaboradas; casas isoladas das outras são proibidas.

Por temperamento, as pessoas que compram casas em Vauban tendem as ser "porquinhos da índia verdes" - de fato, mais da metade dos moradores vota no Partido Verde alemão. Mesmo assim, muitos afirmam que o que os faz morar aqui é a qualidade de vida.

Henk Schulz, um cientista que em uma tarde do mês passado observava os três filhos pequenos caminhando por Vauban, lembra-se com entusiasmo da primeira vez que comprou um carro. Agora, ele diz que está feliz por criar os filhos longe dos automóveis; ele não tem que se preocupar muito com a segurança deles nas ruas.

Nos últimos anos, Vauban tonou-se um nicho comunitário bem conhecido, apesar de não ter gerado muitas imitações na Alemanha. Mas não se sabe se este conceito funcionará na Califórnia.

Mais de cem candidatos se inscreveram para comprar uma casa na Quarry Village, e Lewis ainda está procurando um investimento de US$ 2 milhões para dar início ao projeto.

Mas, caso a ideia não dê certo, a sua proposta alternativa é construir no mesmo local um condomínio no qual o uso do automóvel seja totalmente liberado. Ele se chamaria Village d'Italia.

15 de abril de 2009

13 de março de 2009

Dark was the night

Tá aí uma dica boa pra ouvir. Só artista de primeira. São 2 CDs com Andrew Bird, Antony, Arcade Fire, Beach House, Beirut, Blonde Redhead, Bon Iver, The Books, Buck 65, David Byrne, Cat Power & Dirty Delta Blues, The Decemberists, Aaron Dessner, Bryce Dessner, Devastations, Dirty Projectors, Kevin Drew, Feist, Ben Gibbard, Grizzly Bear, Iron & Wine, Jose Gonzalez, Sharon Jones & The Dap-Kings, Kronos Quartet, Stuart Murdoch, My Brightest Diamond, My Morning Jacket, The National, The New Pornographers, Conor Oberst, Riceboy Sleeps, Serengeti, Dave Sitek, Spoon, Sufjan Stevens, Gillian Welch, Yeasayer e Yo La Tengo.

Dark was the night - A red hot compilation

No site você encontra um widget e dá pra ouvir as faixas. Fica como essa caixa aí embaixo:

3 de março de 2009

Uma linha no horizonte

Conheci o U2 lá por 1988, ouvindo um vinilzinho que veio na finada revista Bizz. A porrinha tinha uma música só. Era "I still haven't found what I'm looking for", do álbum Joshua Tree (o melhor deles, por sinal). Essa era a versão ao vivo, gravada durante a turnê deles em 87/88 e acho que era aquela que foi pro álbum Rattle&Hum em 1989. "Vinilzinho" pq ele era pequeno mesmo e flexível igual uma borracha, sei lá. Podia dobrar que não quebrava. O fato é que eu ouvi tanto, mas tanto, que, mesmo do alto dos meus 11 anos de idade, até aprendi a letra da música, sem saber nada de inglês até então. Talvez tivesse ouvido "Sunday bloody Sunday", "Gloria" ou "I will follow" antes dessa época, mas nunca associei a banda com essas músicas, sei lá. Naquela época, (já) tocavam tanto lixo nas rádios que tive sorte da minha memória musical não ser tão apurada assim. E, convenhamos, colocando as coisas dentro do seu devido contexto histórico: eu tinha um disco dos Menudos. Pior, eu FUI ao show dos Menudos. O U2 foi a primeira banda que me fez ver que existia algo bom, além das FMs.

Em 1990, compramos o primeiro CD player pra casa. Na época, era o ó do borogodó. Dava até medo de mexer. Além do aparelho ser caro e sofisticado (pra época, veja bem), qqer cd custava muito caro, sem contar que só haviam uns poucos títulos disponíveis. Velhos tempos da pré-história da música digital.

Não bastava ter o CD player e não ter CD pra ouvir. Aí lembro que meu irmão mais velho, que já conhecia alguma coisa de música, sugeriu que meu pai comprasse o Joshua Tree. Assim foi, nosso primeiro CD, ever. Daí pra ficar viciado em U2 foi fácil. Coisas como o repeat, não ter problema de sujar a agulha, não ter problema de "pular" e o som cristalino, tornavam a alienação musical muito mais fácil do que com os toca-discos.

Com o passar dos anos e o lançamento de álbuns como o Achtung Baby e Zooropa, só fiquei mais e mais fã da banda. O que podia ser a alienação total e irrestrita se tornou, na verdade, a fonte de novas bandas, estilos e épocas. Todas as outras bandas que tinham, de alguma forma, influenciado a sonoridade do U2, foram as que eu comecei a ouvir. Aí posso incluir Rolling Stones, Bob Dylan, Elvis, Lou Reed, Ramones, The Who, Brian Eno, David Bowie, Talking Heads e Joy Division, entre outras. E cada uma dessas me fez procurar outras e outras, em ramificações muito interessantes, que aprendi a seguir desde então. Mais ainda agora, nos tempos de internet, onde dá pra se descobrir milhões de bandas interessantes que se conectam de alguma forma e que, principalmente, fazem bem aos teus ouvidos.

Voltando ao U2, os álbuns seguintes tiveram altos de baixos, como o Pop (excelente) e os criticados "All that you can't leave behind" e "How to dismatle an atomic bomb", dois medianos. A superexposição do U2 e, em especial, da figura do Bono, como messias do terceiro mundo desgastou um pouco o interesse que eu tinha pela banda. E eu tinha MUITO interesse em tudo que eles faziam. Singles, participações com outros artistas, shows, bootlegs... O que eu encontrava sobre a banda entrava pra minha playlist. Mas chega uma hora que satura. Cansa. Vira vala comum. Me afastei do U2 e segui ouvindo mais coisas novas nos últimos anos, quase que esquecendo de vez a obra deles, ao menos por um tempo.



Aí aconteceu. Sem que eu tivesse a menor expectativa de como seria o novo álbum, "No line on the horizon", tive uma grata surpresa ao ouví-lo. Músicas fodas, no melhor estilo U2, principalmente pela participação do Brian Eno e Daniel Lanois, os mesmos que fizeram do U2 o que o U2 é hoje. Os mesmos que produziram o "Unforgettable Fire", "Joshua Tree" e "Achtung Baby". Até o novo do Coldplay, que eu acho o melhor de quatro álbuns lançados por eles, foi o Brian Eno que produziu. Resumindo, onde tem Brian Eno, tem música boa.

Compre o álbum novo, sem pestanejar. As faixas que serão lembradas por um bom tempo são "Unknown caller", "Moment of surrender", "I'll go crazy if I don't go crazy tonight" e a própria "No line on the horizon".

Sou suspeito pra falar da banda mas vejo um linha no horizonte pra eles sim. A capacidade que eles tem pra fazer música boa, mesmo que de tempos em tempos, não é de se desprezar. Eles não são a banda que são à toa.

Ou talvez seja só eu que sou alienado.

9 de fevereiro de 2009

E falando sobre o Che...

Só pra complementar o post anterior:



Que beleza!! O Benicio del Toro nem se deu ao trabalho de ler alguma coisinha sobre a história pra fazer o filme. Esse é o tipo do cara que usa camiseta do Che...

28 de janeiro de 2009

Acordem, crianças

Na próxima vez em que você vir alguém usando aquela camisetinha velha e surrada com a foto do Che Guevara, pense sobre a personalidade do cara que a veste. Tudo bem que, na maioria das vezes, quem usa essa camiseta não faz a menor idéia de quem seja essa figura. Se fosse um símbolo pop, tudo bem. Mas existem imbecis que realmente acreditam que o tal Che foi um salvador, um Robin Hood, um messias da justiça social e carregam essa camiseta como forma de mostrar sua revolta (?), indignação "contra tudo isso que tá aí" e que são "contra o sistema". Realmente a ignorância se mostra infinita. E, como que por acaso, esse mesmo tipo de gente é o que participa do Fórum Social Mundial.

Se ao menos 1% desses dementes pudessem assistir o vídeo abaixo, o mundo já seria um lugar melhor. Não tem tudo o que você precisa saber sobre Che, o comunismo ou a esquerda, mas são 10 minutos em que o economista Rodrigo Constantino resume muito bem a incoerência e a irracionalidade do pensamento esquerdista. Assista, vai por mim. Serão os 10 minutos mais bem gastos do seu dia.



Eu quero uma camiseta igual a dele!

E, pra concluir, uma boa do Friedman:

22 de janeiro de 2009

Me very happy