Um velório é a chance que temos de colocarmos em prática todas aquelas piadas de humor negro e gosto duvidoso. Rir da morte ainda é o melhor remédio pra agüentarmos o tranco de uma perda.
Depois de muitos anos que não ia em um velório, fui com meus pais pela morte de um primo da minha avó. No caminho, ainda no carro, participei dessa conversa:
Meu pai:
- Eu não queria ir, filho, acho tudo isso um pé no saco. Mas no fim sua mãe me convenceu que a gente tinha que vir.
Eu, curioso, perguntei:
- Porra, mãe... Que argumento vc usou?!?
Minha mãe:
- Mas é claro que tínhamos que ir, filho. A tia fulana (a viúva) sempre foi tão prestativa nessas situações, vamos dar uma força pra ela. Lembra quando morreu a Beltrana? Foi ela quem providenciou todo o velório e enterro. Quando morreu o Ciclano, pagou todas as flores que foi uma beleza. Já quando morreu a Vó Fulaninha, foi ela quem comprou o caixão e o escambau.... E hoje, ela que organizou todo o funeral do falecido. Admiro muito! Uma pessoa sempre disposta a ajudar nas horas difíceis. Acho que isso significa alguma coisa, não é, pai?
Meu pai:
- Sim, significa que ela podia abrir uma funerária.
22 de dezembro de 2008
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