Em 1990, compramos o primeiro CD player pra casa. Na época, era o ó do borogodó. Dava até medo de mexer. Além do aparelho ser caro e sofisticado (pra época, veja bem), qqer cd custava muito caro, sem contar que só haviam uns poucos títulos disponíveis. Velhos tempos da pré-história da música digital.
Não bastava ter o CD player e não ter CD pra ouvir. Aí lembro que meu irmão mais velho, que já conhecia alguma coisa de música, sugeriu que meu pai comprasse o Joshua Tree. Assim foi, nosso primeiro CD, ever. Daí pra ficar viciado em U2 foi fácil. Coisas como o repeat, não ter problema de sujar a agulha, não ter problema de "pular" e o som cristalino, tornavam a alienação musical muito mais fácil do que com os toca-discos.
Com o passar dos anos e o lançamento de álbuns como o Achtung Baby e Zooropa, só fiquei mais e mais fã da banda. O que podia ser a alienação total e irrestrita se tornou, na verdade, a fonte de novas bandas, estilos e épocas. Todas as outras bandas que tinham, de alguma forma, influenciado a sonoridade do U2, foram as que eu comecei a ouvir. Aí posso incluir Rolling Stones, Bob Dylan, Elvis, Lou Reed, Ramones, The Who, Brian Eno, David Bowie, Talking Heads e Joy Division, entre outras. E cada uma dessas me fez procurar outras e outras, em ramificações muito interessantes, que aprendi a seguir desde então. Mais ainda agora, nos tempos de internet, onde dá pra se descobrir milhões de bandas interessantes que se conectam de alguma forma e que, principalmente, fazem bem aos teus ouvidos.
Voltando ao U2, os álbuns seguintes tiveram altos de baixos, como o Pop (excelente) e os criticados "All that you can't leave behind" e "How to dismatle an atomic bomb", dois medianos. A superexposição do U2 e, em especial, da figura do Bono, como messias do terceiro mundo desgastou um pouco o interesse que eu tinha pela banda. E eu tinha MUITO interesse em tudo que eles faziam. Singles, participações com outros artistas, shows, bootlegs... O que eu encontrava sobre a banda entrava pra minha playlist. Mas chega uma hora que satura. Cansa. Vira vala comum. Me afastei do U2 e segui ouvindo mais coisas novas nos últimos anos, quase que esquecendo de vez a obra deles, ao menos por um tempo.

Aí aconteceu. Sem que eu tivesse a menor expectativa de como seria o novo álbum, "No line on the horizon", tive uma grata surpresa ao ouví-lo. Músicas fodas, no melhor estilo U2, principalmente pela participação do Brian Eno e Daniel Lanois, os mesmos que fizeram do U2 o que o U2 é hoje. Os mesmos que produziram o "Unforgettable Fire", "Joshua Tree" e "Achtung Baby". Até o novo do Coldplay, que eu acho o melhor de quatro álbuns lançados por eles, foi o Brian Eno que produziu. Resumindo, onde tem Brian Eno, tem música boa.
Compre o álbum novo, sem pestanejar. As faixas que serão lembradas por um bom tempo são "Unknown caller", "Moment of surrender", "I'll go crazy if I don't go crazy tonight" e a própria "No line on the horizon".
Sou suspeito pra falar da banda mas vejo um linha no horizonte pra eles sim. A capacidade que eles tem pra fazer música boa, mesmo que de tempos em tempos, não é de se desprezar. Eles não são a banda que são à toa.
Ou talvez seja só eu que sou alienado.

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